domingo, outubro 14, 2007

e...

...na penumbra de um velho sobrado, eles se amontoavam em tentativa de não lembrar que estavam sós. Eu estava só; diferente daqueles demais, verdadeiramente só. Ilhado em meu pseudo-continente, imerso em toda vertigem não condizente com a noite que se expandia e pulsava feito estrela em fase de criação. Se da primeira vez fora pior, assim o dizem, melhora! Se bem lembrar que já não era a primeira, nem mesmo a segunda, tampouco a terceira, mas pelo menos uma décima vez ao longo de meus velhos vinte de três. O sobrado projetava épuras sombrias que deslizavam para o concreto da calçada, e dançavam feito bailaria a se despir em nuances do palco. Pessoas se abarrotavam em celeumas proféticos, satirizando a vida parca e imunda daqueles que se recusam a envelhecer e eu, no breve espetáculo, assistia tudo sob o controle do álcool; e eu, naquele instante, tive vontade de morrer: não pode ser a vida essa coisa.

Marcelo: Coisa assim porque inindetificável, disforme, descolorida! Massa
consistente de um pedaço inútil do vazio: o todo que se molda e não é
fixo. Não possuinte em tamanho: é coisa! No sentido mais coisado da
palavra!

E como elas ainda brigavam, dispostas em linhas paradoxais que se estendiam ao longo de uma trajetória infinita e indescritível; gente assim: de vinte, de trinta, de cinqüenta...segurando altas cédulas e dando brutas gargalhadas, belos pórticos tomados de adornos em toda parte, recheados de sustentos e detalhes. Olha que me nunca fui de não promiscuir; sou concordato quando é a mistura o fato! Mas tal mixórdia, tal atmosfera forçada me fez por muito concluir que nunca for assim. Achava-me como em instante: solitário, rodeado em volta, não de pessoas, mas de oceanos inextrincáveis, de enxertos porosos que tomavam, não a natureza do ser, mas o esvaziavam. Socorro! Eu que amo as multidões produtivas, faço este apelo: o de sermos um para o outro, sem nenhuma pretensão.

domingo, outubro 07, 2007

Sentítulo

com a graça de ser respeitável, sujeito que senta; mesa pequena, circular...não comporta tudo de si, mas alguma parte: quinhão particular, posto que obsoleto. Vê com olhos travessos o falastrão que se dispõe em frente, logrando discursos enfáticos sobre o aprisionamento do ser. Culpa Freud incessantemente por essa coisa de não se saber o que diz. É triste de ver longe, mas não percebe que terceiros podem atinar, por isso continua a lançar seus trejeitos formosos em sentenças e vocábulos nunca dantes proferidos; e assim prefere que seja: mesmo que o não entendam, fato observado. Pensa horas e horas no que pode ou não haver e, se haverá ou se houver de ser, quem sabe há ou souber assoviar. Que lhe basta um assobio ou assovio? Ele sabe que tanto faz, mas não refuta quando o moço da frente começa a melodia da pavana de um mendaz. Ah, cala-se quieto, põe-se rude a escrever internamente a melodia em partitura, tal qual grande formosura não lhe impede agora de ser o que se é...